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Lajes-Tires
antes...
St. John's-Lajes
Fomos acordados às 06:00 hrs. Às 07:00 tínhamos o
motorista para nos levar aos aviões. No trajecto o Delfim pediu para parar num
bar da Base e arranjou o nosso pequeno almoço. Dali fomos à Meteorologia e
depois para o hangar do Aero Clube da Ilha Terceira, aonde os seus dirigentes
foram de uma amabilidade inexcedível para connosco, desde a hangaragem das
máquinas, até à cansativa tarefa de os abastecer com uma bomba manual. Aqui lhes
expressamos os nossos mais sinceros agradecimentos.
Tirados os aviões para fora do hangar em breve entraríamos
para o seu interior para começar a fazer a necessária preparação para o vôo,
pois a nossa saída estava prevista para as 09:00 hrs. locais.
Descolámos praticamente à hora prevista e logo de início
verificámos o nosso inimigo público número um – o vento de frente. Pouco depois
de estarmos no ar, juntou-se à minha asa esquerda uma “parelha” de Aviocar o que
naturalmente constituiu, para mim, um motivo de grande comoção. Estávamos a ser
alvos, por parte da Força Aérea Portuguesa de uma atitude reveladora de grande
apreço pela nossa Volta ao Mundo, circunstância que jamais poderemos esquecer.
São estas coisas que fazem o Zé Aviador, chorar que nem uma
Madalena e ficar com a certeza de que tudo o que fez valeu a pena. O Delfim que
voava à minha frente, também foi alvo das mesmas honras, por parte da FAP.
À medida que íamos voando, mantínhamos calorosa conversação
na frequência de 123.45. Por fim, um C130 da FAP entrou no nosso convívio,
compartilhando, por certo a sua tripulação, da nossa alegria. Bastante mais à
frente foi a vez de um P3 ORION, fazer, também, a sua aparição na fonia. Sabia
que, pelos seus meios sofisticados de busca e localização de alvos oceânicos,
estava totalmente ciente da nossa posição. Ali, sozinho no meu avião, aquele P3
ORION, fez-me lembrar a minha mãe que muitas vezes à noite, antes de eu
adormecer, vinha pé ante pé, aconchegar-me a roupa da cama e dar-me um beijo.
Como se tudo isso não bastasse, uma “parelha” de F16 fez a sua
aparição felina, passando por baixo e por cima de nós, como dois gatarrões que
brincam com dois ratinhos. Que inveja eu tive daqueles pilotos. Com os meus
magros 120 nós de velocidade terreno, parecia que estava a comer a “sopa dos
pobres” à porta do Hotel Tivoli. Desapareceram, mas voltaram de novo e
chegaram-se bastante ao avião do Delfim que, seguia à minha frente. Que
espectáculo, meu Deus! E que alegria tão grande eu senti.
Depois, motor, nariz em cima e foram-se de vez a enrolar
tonneaux por ali acima. “Boas vindas” que só a VIPS se fazem, o NOSSO GRANDE
OBRIGADO. Jamais esqueceremos este voo das Lajes para Cascais.
Continuámos a voar e em breve estávamos em contacto com o
controle de Lisboa em VHF (extended range). Uma palavra de agradecimento a todos
os controladores de Lisboa, tanto do Controle propriamente dito como da
Aproximação, pela gentileza dos seus elogios que tanto nos sensibilizaram. Bem
hajam por isso.
Finalmente cancelámos o nosso voo por instrumentos e
recebemos instruções para contactar Cascais e prosseguir visual. Assim fizemos.
Em breve o Delfim aterraria e eu logo atrás dele.
Prosseguimos para o estacionamento, aonde éramos aguardados
pelo Director de Aeródromo, bastante pessoal do mesmo, amigos, populares e
Comunicação Social.
Agradecemos a todos a vossa calorosa recepção, aonde não faltaram uns “copitos”
para refrescar as nossas gargantas.
António Faria e Mello
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